Descartes não mora mais aqui
Vazio...
Esse buraco enorme
do outro lado da linha.
Tudo e só o que silencio.
(- Garçom, outro uísque!)
Angústia de palavras
quebrando a monotonia.
Palavra palavra minha.
(Essa eu devo ao Leminski)
Não sei ao certo
o que vem depois:
os limites do verbo,
essa solidão a dois,
uma estação no inverno,
as formas do tempo diluídas
e os primeiros enganos
do resto de nossas vidas.
Mas quando a gente se encontrar
eu vou fingir que não te vi.
E você logo vai sacar que Descartes não mora mais aqui.
Escrito por Márcio Scheel às 14h29
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